Entrevista: Perseverança à frente da AFPD

Professora Jaci Mattos é presidente da Associação dos Funcionários Públicos de Diadema. Há três anos na gestão do clube ela se diz feliz pelas conquistas obtidas junto com sua equipe e os benefícios conquistados para os associados. A poucos dias da eleição que definirá o futuro da AFPD ela faz um balanço, revela dificuldades, vitórias, e esperança de ver a associação em ascensão, como verificado nos últimos anos

Por Elias Lubaque

Diadema News – Como foi o primeiro ano da sua gestão na associação?

Professora Jaci Mattos – Nós encontramos a Associação em situação complicada em muitas áreas tanto de infra-estrutura como de gestão com convênio médico falido, muitas dívidas. Dividas herdadas das outras gestões. Na realidade nós tentamos administrar da melhor maneira possível. Nós reunimos um colegiado na época para explicar a situação. E a longo, médio e curto prazo fizemos um plano de ação. E realizamos algumas ações imediatas, entre elas redimensionar os funcionários, revitalização e redimensionamento dos espaços, parcerias com diversos setores, aquisição de implementação de controle de finanças.

DN – Com relação às atividades, como eram feitas antes?

Jaci Mattos – Existia somente a modalidade do Karate e tinha dois alunos e foi ampliado ao longo da gestão. Criamos a modalidade de capoeira, que atende jovens e adultos. A dança do ventre, a professora é da rede municipal, isso é uma forma de valorizar o funcionalismo. Temos curso de fotografia, que já esta na 2ª edição, e o professor é funcionário de carreira da PMD. Temos palestras temáticas, cursos de artesanato, reciclagem, Porcenalato 3D, entre outras. Parceria com o Iedep (Instituto Educacional de Educação) que oferece cursos de pós-graduação e extensões universitárias, entre outros cursos. Festas temáticas, dia da família, festa junina em parceria com o Sindicato (SINDEMA).

DN – Sobre a prestação de contas da gestão passada?

Jaci Mattos– A prestação de contas foi entregue de forma parcial e paulatinamente fomos adequando ao novo sistema administrativo. Hoje a Associação dos Funcionários Públicos tem dívidas das gestões passadas. E essas dívidas estão em valores bem altos. E não conseguimos resolver essa questão até hoje. Existe um bloqueio judicial e metade do que entra é bloqueado. Então nosso orçamento é restrito, trabalhamos com orçamento para pagamento de funcionários e para manter a associação. Estamos procurando alternativas para a situação que herdamos. Porém,em dois anos não podemos resolver o que está a décadas sem providências.

DN – Dia 12 de abril, terá eleição. Fala um pouco sobre.

Jaci Mattos– Abrimos um edital. As pessoas vieram na reunião, hoje temos uma comissão
eleitoral. Hoje esta sendo decidido os locais de votação. E no dia (12/04) será decidido o futuro da Associação. E somente funcionários sócios poderão votar. Terá urnas em locais como saúde, educação, obras e DLU; urnas itinerantes por região, tudo para facilitar que todos possam votar e exercer seu direito de escolha.

DN – O que você acha que faltou para avançar nesses 48 anos de associação?

Jaci Mattos– Faltou compromisso das gestões. Falta de compromisso com o espaço do funcionalismo. Faltou seriedade também, uma série de fatores. Não tiveram um cuidado a ponto que realmente avançasse. Então o que conseguimos ver nesses 48 anos de associação foi um declínio. Agora estamos trabalhando pra solucionar. Mas o que foi mal gerenciado em 48 anos, não é fácil resolver em dois, três anos. Provavelmente levaríamos umas três gestões para colocar as coisas no lugar. É claro que eu teria mais uma somente, se categoria aceitar, é claro.

DN –Vamos falar um pouco da estrutura do clube. A área de lazer você fez alguma coisa?

Jaci Mattos – Sim, várias. Ampliamos o horário da piscina com atendimento de quarta a domingo.  Também na piscina colocamos aula de natação, de hidroginástica para jovens, adultos e crianças. Introduzimos o exame médico na associação com validade de seis meses. Fizemos um convênio, quem não consegue fazer por aqui o exame, pode fazer pela Ciomed com um preço popular. O salva-vidas é formado, capacitado, registrado. E ampliamos o atendimento da secretaria aos finais de semana e ampliação do horário da secretaria até às 20h para melhor atendimento do funcionalismo

DN – Houve reforma nas quadras?

Jaci Mattos– Sim. Houve. Fizemos toda a pintura da quadra, a parte interna, do piso, parede. Temos uma parceria com uma escola de esporte, onde atendemos 180 crianças. Na modalidade de futsal e voleibol, terça e quinta o dia inteiro. E tudo de forma gratuita. Pra essa atividade não precisa ser sócio, basta ser munícipe. Então esse é um trabalho social que a associação faz em parceria com a prefeitura.

DN – O campo de futebol você esta tendo uma conversa com uma empresa?

Jaci Mattos– Sim. Estamos com uma conversa bem avançada, teremos uma parceria com investimento na grama sintética, revitalização e construção de outros espaços. É um grande sonho dos sócios e da nossa gestão também, sem dúvida é uma grande conquista. Isso faz parte do nosso trabalho desde que assumimos a AFPD. Então esse projeto esta sendo o que seria o nosso objetivo de longo prazo. Seria a parceria de uma empresa que colocaria essa grama sintética. E agora esta muito próximo deste sonho se tornar realidade.

DN – Teve duas situações que marcou sua gestão. Que foi a garota do karate. E a Tocha Olímpica. Como foi ajudar nessas conquistas?

Jaci Mattos– Tivemos a Isabelle Carriel, que ficou conhecida como “A Menina de Ouro”, por conquistar a medalha de ouro no Campeonato Brasileiro de Karate. Foi um orgulho pra todos nós da Associação dos Funcionários Públicos. Quando cheguei aqui, eles estavam treinando num local abandonado. Providenciamos um salão para os treinos muito melhor e maior. E fomos dando suporte pra eles. Foi quando me disseram que tinham vontade de participar do campeonato, mas não tinham recurso para ir pra Brasília. A associação também não tinha como financiar. Mas fizemos uma festa para captar recurso. E conseguimos o suficiente para viagem dela. E deu tudo muito certo. E ela trouxe o ouro, imagina! [risos]. E é algo que não esquecemos. Foi nossa primeira ação e com resultado de ouro. Tivemos também o Pedro Henrique e outros garotos que trouxeram medalhas no ano seguinte. Muitas conquistas tivemos graças a Deus.

DN – E a tocha olímpica?

Jaci Mattos– A Tocha Olímpica, até hoje não acredito que conseguimos. Eu acredito muito em Deus. E acredito que ele pôs a mão dele na minha gestão aqui na AFPD e nos presenteou com esse evento, que deixou todos felizes e muitos outros. Foi muito emocionante. Foi uma força divina, tenho certeza! Participamos do revezamento em São Bernardo do Campo, como previsto pela organização do evento. Aqui é um trabalho voluntário e você se dedica tanto que o que pode acontecer são bons resultados. Depois levamos a tocha em todos os lugares que podemos em Diadema. Tinha agenda para levá-la nas empresas, escolas públicas e particulares, matéria jornalística e áudio visuais e tantos outros lugares. Participamos do desfile 7 de setembro, entre outros, algo inédito para AFPD e para cidade de Diadema. Foi e tem sido extraordinário.

DN – Você está próximo de uma eleição. Independente do resultado. Qual foi seu legado à da AFPD? 

Jaci Mattos–Creio que nós fizemos o possível e o impossível. Entãocontinuando ou não,  sei que nós demos nossa contribuição de forma voluntária e fizemos nossa parte, com seriedade. Agoraespero que quem continuar,  também tenham seriedade, porque a associação precisa de pessoas sérias, que queiram o bem da associação. Que pensem no coletivo. E assim só crescerá à AFPD.